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domingo, 25 de agosto de 2013

Psicoletrando




   
                                 A família de sucesso
    Josimara Neves, psicóloga e escritora  (CRP-04/37147)

   Marília Neves, professora e escritora

  


E como seria a família de “sucesso?”

Será que uma família de sucesso é aquela na qual todos os membros são bem-sucedidos profissional e financeiramente? Será que é a que não tem brigas ou discussões? Será que é a constituída nos moldes do modelo de família nuclear?
Sinceramente, inviável analisar o sucesso de uma família olhando-a sobre um único aspecto, sem levar em consideração as teias que se formam no interior dos lares e a multiplicidade de fatores que corroboram para torná-la bem-sucedida. Existem famílias que são bem-sucedidas financeiramente, mas são um fracasso no que tange à educação dos filhos – que sentem os pais ausentes tanto física quanto afetivamente .
Há famílias que estabelecem relações calorosas e afetuosas entre os seus membros, porém, os problemas oriundos de dificuldades econômicas ocasionam brigas, discussões e desentendimentos entre eles, desestabilizando as emoções.
Existem famílias cujos membros apenas habitam na mesma casa, todavia, parecem desconhecidos devido à falta de afinidades e de proximidade afetiva.
Há famílias que se toleram, mas não se suportam. Reúnem pessoas que não conseguem dialogar, comumente não sabem como estabelecer vínculo, realçam o lado negativo umas das outras, torcem contra, e não a favor dos familiares.
Enfim, no que diz respeito ao progresso da família, vale lembrar que não é como dar uma receita de bolo, com ingredientes estipulados e o manual contendo o modo de fazer. Não é tão simples assim! Para uma família ser bem-sucedida, é importante que:
·         As relações sejam pautadas no respeito, na compreensão do outro e dos limites de cada um;
·         Desenvolva a capacidade empática de se colocar no lugar do próximo, adquirir a prontidão para ouvir seja a mãe – cansada pela duplicidade de tarefas dentro e fora do lar –; o marido, que carrega o peso de ter que ser forte porque a sociedade assim instituiu; os filhos, que se sentem sobrecarregados pelo excesso de tarefas escolares e devido às pressões sociais (questionamentos sobre qual a profissão a seguir, como será o futuro – que ainda não chegou e que nem se sabe se chegará –, entre outras).
·         Haja espaço para falar de assuntos que não sejam só cobranças (Já fez o dever? Já pagou a conta de luz? Já consertou a televisão?). Destinar um momento para se descontrair é uma forma de envolver a família, integrá-la, a fim de oferecer segurança para que os integrantes do arranjo familiar possam sentir: “aqui em casa tem muita bagunça, mas a gente se diverte, é feliz!”
·         Inclua uma religião ou uma crença no cotidiano familiar para que tenham um suporte a mais diante dos momentos difíceis. Vale ressaltar que pode ser qualquer religião, pois o importante é o bem-estar familiar. Caso não seja possível mobilizar todos os membros, pode-se fazer uma leitura de textos religiosos, mensagens positivas e de reflexão, uma vez por semana, em dia e horas programados envolvendo toda a família.
·         Tenha tempo para curtir a presença dos membros familiares, mostrando afetividade e carinho, nem que seja enquanto se assiste a um filme, no preparo de um almoço, no intervalo da novela ou do jogo etc.
·         Esteja mais disponível para a família do que para o facebook, as redes sociais e a internet de modo geral, os jogos, o celular, o trabalho. O tempo dedicado à família é um investimento que se faz e cujo retorno é deveras gratificante.
·         Aprenda a sonhar junto, ou melhor, a construir sonhos coletivamente. Incentivem-se uns aos outros, sejam parceiros, companheiros, amigos,  quando necessário. Muitas vezes, a mulher quer ser vista em sua fragilidade; o homem não quer ser forte constantemente; a criança não quer ser “policiada” sempre; o adolescente não quer ser questionado com frequência; o adulto quer brincar ou descontrair para minimizar as tensões do mundo “adulto”; o idoso não quer se lembrar dos seus cabelos brancos e das rugas que têm. Compreender isso é significativo para entender a forma como cada membro atua nas relações familiares.
Portanto, é primordial que cada pessoa reconheça o seu papel no contexto familiar, refletindo sobre atitudes, visando à mudança de comportamento, que, porventura, tenha identificado como óbice para uma convivência mais harmônica, respeitosa, feliz!
Numa família, seja monoparental, extensa, aglutinada, não é o arranjo familiar o que mais importa, mas sim, os vínculos estabelecidos, a afetividade, o respeito, a tolerância, o diálogo, enfim, o querer bem um ao outro. Tais componentes, e bem ajustados em doses diárias, é uma “boa receita” de sucesso familiar.


Os problemas sempre existirão, as dificuldades e as diferenças também, mas o que faz uma família ser bem-sucedida é a capacidade de dar a volta por cima e se ajudar mutuamente para atingir a superação, o sucesso, o apogeu! A resiliência, no contexto familiar, também é um ingrediente para o sucesso”. (Josimara Neves)
 






“A família bem-sucedida constrói seu alicerce no respeito, na alteridade, levanta paredes revestidas do diálogo necessário, acende a luz da esperança que impulsiona os seus moradores a progredir. Tal instituição forma um lar, pois não se preocupa apenas com a estrutura física, cuida do sol que alimenta os corações de cada membro que nela vive: a afetividade.” (Marília Neves)

Obs: os textos contidos aqui são publicados semanalmente no Jornal do Sudoeste(http://www.jornaldosudoeste.com.br), na coluna "Psicoletrando."


 




domingo, 18 de agosto de 2013

Psicoletrando





    Psicoletrando
                                 A escola de sucesso
 





   Josimara Neves, psicóloga e escritora
                    (CRP-04/37147)
   Marília Neves, professora e escritora
  
Para que uma escola obtenha êxito, é primordial que sua equipe trabalhe de forma coesa, adote a mesma linha, “fale a mesma língua”, siga posturas similares e tenha metas bem delineadas.
No processo de ensino e aprendizagem, cada segmento da escola é peça fundamental e tem funções a desempenhar. Destacaremos alguns:
·         Aluno: é o sujeito da aprendizagem, o foco da escola. Precisa ser constantemente incentivado para avançar, para saber que pode mais. A ele cabe a incumbência de frequentar assiduamente as aulas, participando delas com entusiasmo, além de fazer todas as tarefas de sala, os deveres de casa e estudar com afinco.

·         Professor: é o mediador da aprendizagem, o responsável por fazer o plano de aula mediante os objetivos propostos para cada aula; encarregado de elaborar estratégias diferenciadas a fim de garantir a participação dos alunos no processo de construção do conhecimento. A ele cabe a responsabilidade de pesquisar, estudar continuamente, selecionar materiais que contribuam para o desenvolvimento dos discentes, usar a interdisciplinaridade quando possível, além de conhecer os seus alunos, detectar as dificuldades que possuem, fazer intervenções, elaborando aulas que promovam o avanço deles.

·         Especialista/supervisor: é o suporte pedagógico do professor. A ele cabe a responsabilidade de acompanhar as aulas dos professores, sugerir-lhes estratégias para que os alunos avancem na aprendizagem, promover reuniões periódicas com os docentes, além de conhecer o nível em que se encontram os alunos da escola a fim de intervir com propriedade. Também estabelecem um vínculo significativo com os pais e/ou responsáveis pelos alunos, pois conhecem a vida escolar dos discentes.  Por isso, precisa estudar, pesquisar, motivar os professores e lhes passar segurança. 

·         Diretor: é o gestor escolar, o coordenador de toda a equipe que trabalha na escola. Ele tem a difícil função de mobilizar os funcionários a trabalharem eficazmente, de forma cooperativa, participativa, buscando a excelência. A ele cabe a responsabilidade de acompanhar o trabalho dos professores, dos especialistas (ou supervisores), das merendeiras, dos funcionários da limpeza, além de organizar as reuniões que se fizerem necessárias, receber os pais/responsáveis e/ou chamá-los à escola quando preciso. Sendo a autoridade máxima da instituição de ensino, necessita ter um perfil diferenciado – liderança, empreendedorismo, comunicação eficaz, inteligências intra e interpessoal, dinamismo, criatividade, alteridade, dedicação exclusiva e capacidade de estudar continuamente.

·         Pais e/ou responsáveis: são o suporte emocional dos filhos.  A eles cabe a função de educar, de dizer sim e não nos momentos adequados, de ensinar valores, princípios, boas maneiras, de oferecer-lhes um norte religioso (independentemente de qual seja), além de acompanhar-lhes o desenvolvimento escolar, verificando cadernos, notas, tarefas de casa, horários de estudo, participando de reuniões e de eventos da escola. 

A escola deve ser um espaço de democracia, onde a alegria de aprender a aprender seja o mote para o sucesso – vocábulo que definimos como o cumprimento de projetos elaborados, a concretização de sonhos planejados, a execução de tarefas que promovem a autorrealização, o bem-estar físico e psicoemocional, o reconhecimento pelo trabalho feito, o prazer de viver intensamente.
Logo, a escola de sucesso é aquela que enxerga o aluno como ser dotado de inteligências múltiplas, capaz de progredir conforme seu próprio ritmo e mediante os estímulos oferecidos; vê o professor como profissional que executa as metas propostas para cada turma e os valoriza; trabalha com gana, com disciplina, com organização, com respeito e com planejamento. Enfim, (sendo redundante para enfatizar) a escola de sucesso é aquela que agrega o maior número de alunos bem-sucedidos, posto que, o sucesso da escola depende do sucesso do aluno.

 “A família educa; a escola partilha conhecimentos. A família oferece limites; a escola propicia interação. A escola e a família, portanto, mantêm uma relação estreita, a qual objetiva o sucesso do aluno/filho”. (Marília Neves)

“O sucesso tanto da escola quanto da família só é possível quando não se espera que a família supra as demandas oriundas da escola e esta, por sua vez, não tenha que desempenhar o papel que não é seu”. (Josimara Neves)