segunda-feira, 13 de janeiro de 2014



    Psicoletrando
     APRENDENDO COM O SEXTING

PARTE II

                           Josimara Neves, psicóloga e escritora
                  (CRP-04/37147)
   Marília Neves, professora e escritora


Fonte: dasas.net

Na semana passada, ilustramos um caso sobre o sexting, prática que já virou “mania” entre muitos jovens, que, exibindo suas intimidades nas redes sociais, acabam envolvendo-se em situações embaraçosas e perigosas.
            Debruçados nessa realidade alarmante, pensamos em refletir acerca de tal temática com o intuito de alertar os pais e os educadores a auxiliarem os jovens quanto às ações que realizam por modismo, desejo incontido e até mesmo por desajuste psicoemocional. Portanto, seguem algumas causas do sexting:

  • Modismo: jovens adoram copiar os colegas, os artistas, seguindo o fluxo. Por estarem numa fase na qual se sentem donos de suas próprias vontades, acham que precisam fazer o que têm vontade. Com isso, não pensam nos riscos que correm, nas consequências advindas de atitudes precipitadas. Geralmente, acham os pais caretas, conservadores; os professores, chatos e, assim, taxam os conselhos dos mais experientes como ultrapassados.

  • Vontade de se expor: as redes sociais ganharam uma dimensão incomensurável. Por meio delas, temos acesso a tudo e a todos em questão de segundos. Então, essa ferramenta atrai, sobremaneira, o público jovem, o qual quer ser visto, curtido, compartilhado, afinal, é preciso ser notado, não é verdade? O sexting, portanto, possibilita essa notoriedade, dá ibope, “prestígio”, eleva o ego (geralmente dos meninos, que, quando vistos, sentem-se mais másculos; enquanto as meninas são julgadas de forma diferente);

  • Carência afetiva: diversos jovens se sentem rejeitados, carentes possuem baixa autoestima, incomodam-se com seu corpo, vivem se comparando com os outros, ressaltando os defeitos que possuem, evidenciando seu lado negativo. Quando encontram alguém que lhes dá atenção, para mostrar que são bem-resolvidos, podem optar pelo sexting, já que não é todo dia que “cai peixe na rede”.

  • Desajuste psicoemocional: alguns jovens vivenciam, precocemente, experiências sexuais sôfregas, alimentam-se do sexo de forma desmedida, achando que sua intimidade precisa ser escancarada para “aumentar o gás”. São do tipo: “Não vivo sem sexo”, “O que é bom tem de ser mostrado”. Assim, canalizam todas as suas energias na prática sexual, expõem-se em demasia e “obrigam” seus parceiros a se exporem também. Não conhecem limite, nem responsabilidade, nem compromisso, preferindo agir por impulso.

Todavia, sabendo que toda ação gera uma reação, eis algumas consequências do sexting:

  • Curtidas e compartilhamentos: com uma velocidade incalculável, centenas de pessoas têm acesso a fotos, a vídeos e a diferentes imagens referentes a pessoas conhecidas ou desconhecidas. Como a brincadeira da batata-quente, disseminam o que visualizam rapidamente, fato que consterna os envolvidos nesse perigoso jogo;

  • Julgamentos: esparramadas as imagens, os comentários sobre os envolvidos na “trama” começam a se proliferar. Em poucos instantes, advêm os julgamentos sobre os atores da cena, atrelados a difamações, a xingamentos, a condenações, entre outros;

  • Comprometimento físico e psicoemocional: diante da opinião alheia, muitos jovens que toparam fazer parte do teatro real (sexting) não aguentam a pressão e adoecem, sentem-se culpados, abstêm-se do convívio social e podem, até, deprimir-se;

  • Suicídio: quando a repercussão do sexting toma dimensão abrangente, alguns jovens não veem solução para o caso e, com vergonha e medo do julgamento da família, dos colegas e dos amigos, põem fim à própria vida – ato que causa revolta, tristeza e inúmeros transtornos aos familiares e aos indivíduos conscientes.

Por isso,
·         pais, eduquem seus filhos, ofereçam a eles todas as informações necessárias a fim de que tenham discernimento para fazer suas escolhas.
·         professores: permitam que, desde a infância, o aluno reflita sobre os próprios atos, seja perceptivo, questionador, consciente, responsável.
·         Jovens: busquem a felicidade duradoura, conversem com os amigos, passeiem, estudem, leiam, pratiquem esportes, enfim, sigam os passos d’aqueles que semeiam o bem, a alegria, a paz e o amor.




A internet, tal como uma ferramenta, tem a sua utilidade, contudo, quando usada indiscriminadamente, torna-se uma arma apontada contra nós mesmos. Pense nisso! Lembre-se: ser jovem é maravilhoso, mas não saber aproveitar a juventude é o prelúdio da falência existencial!
Marília Neves


Que possamos ter consciência dos nossos atos: pesando os prós e os contras, afinal, a vida merece ser vivida, e não sacrificada! Aprender a desconfiar e a ter discernimento é importante para evitar passar por constrangimentos que possam arruinar a nossa trajetória e, sobretudo, o desfecho da vida que teríamos se ela não tivesse sido “abortada!”
Josimara Neves

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