Psicoletrando
APRENDENDO
COM O SEXTING
PARTE II
Josimara Neves, psicóloga e escritora
(CRP-04/37147)
Marília Neves, professora e escritora
Fonte: dasas.net
Na semana passada, ilustramos um caso
sobre o sexting, prática que já virou “mania” entre muitos jovens, que,
exibindo suas intimidades nas redes sociais, acabam envolvendo-se em situações
embaraçosas e perigosas.
Debruçados nessa realidade alarmante,
pensamos em refletir acerca de tal temática com o intuito de alertar os pais e
os educadores a auxiliarem os jovens quanto às ações que realizam por modismo,
desejo incontido e até mesmo por desajuste psicoemocional. Portanto, seguem
algumas causas do sexting:
- Modismo: jovens adoram copiar os colegas,
os artistas, seguindo o fluxo. Por estarem numa fase na qual se sentem
donos de suas próprias vontades, acham que precisam fazer o que têm
vontade. Com isso, não pensam nos riscos que correm, nas consequências
advindas de atitudes precipitadas. Geralmente, acham os pais caretas,
conservadores; os professores, chatos e, assim, taxam os conselhos dos
mais experientes como ultrapassados.
- Vontade de se expor: as redes sociais ganharam uma
dimensão incomensurável. Por meio delas, temos acesso a tudo e a todos em
questão de segundos. Então, essa ferramenta atrai, sobremaneira, o público
jovem, o qual quer ser visto, curtido, compartilhado, afinal, é preciso
ser notado, não é verdade? O sexting, portanto, possibilita essa
notoriedade, dá ibope, “prestígio”, eleva o ego (geralmente dos meninos,
que, quando vistos, sentem-se mais másculos; enquanto as meninas são
julgadas de forma diferente);
- Carência afetiva: diversos jovens se sentem
rejeitados, carentes possuem baixa autoestima, incomodam-se com seu corpo,
vivem se comparando com os outros, ressaltando os defeitos que possuem,
evidenciando seu lado negativo. Quando encontram alguém que lhes dá
atenção, para mostrar que são bem-resolvidos, podem optar pelo sexting, já
que não é todo dia que “cai peixe na rede”.
- Desajuste psicoemocional: alguns jovens vivenciam,
precocemente, experiências sexuais sôfregas, alimentam-se do sexo de forma desmedida, achando
que sua intimidade precisa ser escancarada para “aumentar o gás”. São do
tipo: “Não vivo sem sexo”, “O que é bom tem de ser mostrado”. Assim,
canalizam todas as suas energias na prática sexual, expõem-se em demasia e
“obrigam” seus parceiros a se exporem também. Não conhecem limite, nem
responsabilidade, nem compromisso, preferindo agir por impulso.
Todavia, sabendo que toda ação gera
uma reação, eis algumas consequências do sexting:
- Curtidas e compartilhamentos: com uma velocidade incalculável,
centenas de pessoas têm acesso a fotos, a vídeos e a diferentes imagens
referentes a pessoas conhecidas ou desconhecidas. Como a brincadeira da
batata-quente, disseminam o que visualizam rapidamente, fato que consterna
os envolvidos nesse perigoso jogo;
- Julgamentos: esparramadas as imagens, os
comentários sobre os envolvidos na “trama” começam a se proliferar. Em
poucos instantes, advêm os julgamentos sobre os atores da cena, atrelados
a difamações, a xingamentos, a condenações, entre outros;
- Comprometimento físico e
psicoemocional:
diante da opinião alheia, muitos jovens que toparam fazer parte do teatro
real (sexting) não aguentam a pressão e adoecem, sentem-se culpados,
abstêm-se do convívio social e podem, até, deprimir-se;
- Suicídio: quando a repercussão do sexting
toma dimensão abrangente, alguns jovens não veem solução para o caso e,
com vergonha e medo do julgamento da família, dos colegas e dos amigos,
põem fim à própria vida – ato que causa revolta, tristeza e inúmeros
transtornos aos familiares e aos indivíduos conscientes.
Por isso,
·
pais,
eduquem seus filhos, ofereçam a eles todas as informações necessárias a fim de
que tenham discernimento para fazer suas escolhas.
·
professores:
permitam que, desde a infância, o aluno reflita sobre os próprios atos, seja
perceptivo, questionador, consciente, responsável.
·
Jovens:
busquem a felicidade duradoura, conversem com os amigos, passeiem, estudem,
leiam, pratiquem esportes, enfim, sigam os passos d’aqueles que semeiam o bem,
a alegria, a paz e o amor.
A internet, tal como uma ferramenta, tem a sua utilidade,
contudo, quando usada indiscriminadamente, torna-se uma arma apontada contra
nós mesmos. Pense nisso! Lembre-se: ser jovem é maravilhoso, mas não saber
aproveitar a juventude é o prelúdio da falência existencial!
Marília
Neves
Que possamos ter consciência dos nossos atos: pesando os
prós e os contras, afinal, a vida merece ser vivida, e não sacrificada! Aprender
a desconfiar e a ter discernimento é importante para evitar passar por
constrangimentos que possam arruinar a nossa trajetória e, sobretudo, o desfecho
da vida que teríamos se ela não tivesse sido “abortada!”
Josimara
Neves
Nenhum comentário:
Postar um comentário