segunda-feira, 13 de janeiro de 2014






                                  Psicoletrando

                 Quando a dor visita o professor...


                                                            Josimara Neves, psicóloga e escritora

             Marília Neves, professora e escritora


                  Fonte: www.opresente.com.br


          “A dor dói porque cutuca o que lutamos para esconder.”
                                                                                                                 Marília Neves

            Quando a Distinta Dama de coração gelado consegue infiltrar-se na vida dos professores, descobre-lhes o ponto fraco e, de tanto empenho e dedicação, torna-se amiga íntima deles. Sabedora de sua capacidade de persuasão e de sua extrema força, provoca-lhes os seguintes sintomas:

  • dores no corpo todo, principalmente na cabeça;
  • dificuldade de concentração;
  • sono irregular (insônia ou vontade de dormir durante muito tempo);
  • problemas digestivos;
  • frustração;
  • autodepreciação;
  • vazio interior;
  • sensação de incompetência profissional, de não fazer o bastante;
  • estresse;
  • escapismo – fuga da realidade;
  • melancolia;
  • apatia;
  • cansaço, exaustão;
  • irritabilidade, mau humor;
  • depressão.
           
            Não é novidade alguma dizer que os professores, de modo geral, vivenciam um período extremamente conturbado. Nas escolas, encontram salas numerosas, excesso de trabalho, indisciplina e falta de interesse dos alunos, reuniões periódicas... Em casa, há as responsabilidades perante a família, o atendimento aos filhos e/ou familiares, as tarefas domésticas, o compromisso com o pagamento das despesas, entre outros. Fora isso, ainda destinam um tempo à religião, ao lazer, ao estudo, aos amigos e a diversos afazeres que surgem no dia a dia.
            Entretanto, a saúde – física e emocional – do professor é um caso preocupante. Porém, penso que ainda sejam insignificantes as medidas preventivas utilizadas para combater e/ou minimizar tal fato.
            Quem realmente se importa se o professor está bem ou não?
            Quais as consequências da grande quantidade de professores doentes?
            Por que cresce, diariamente, o número de professores que deixam a sala de aula e precisam ser remanejados para outras funções?
            Todo professor tem acesso, quando necessário, a um tratamento de qualidade com profissionais especializados para auxiliá-los, como ortopedistas, neurologistas, psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos?
            Sabemos que existem casos diferentes dos apresentados, que alguns professores não precisam trabalhar em mais de uma escola, equilibram bem o tempo que possuem, são mais bem remunerados, contudo, essa parcela é pequena se comparada aos demais companheiros de ideal.
            Então, o que nos cabe fazer?
            Não há receitas prontas nem conselhos com garantia total de sucesso, mas acredito que a indiferença diante essa realidade precisa acabar. Chega de cozinhar o bolo em banho-maria, de fingir que não vê o que está sob os próprios olhos, de omissão. É preciso agir conforme os galos, acordar cedo, cantar, ciscar no terreiro e pôr a boca no trombone, demarcando território.          
            Se almejamos um país melhor, mais igualitário, menos excludente, que se destaque na área educacional, cuidemos dos nossos professores, olhemos com mais atenção e respeito os que fazem jus ao título que recebem – profissionais que trabalham com responsabilidade, compromisso e foco na aprendizagem dos alunos.
            Aos professores ficam as seguintes dicas: primeiramente, creiam no trabalho que realizam, façam o melhor que puderem, criem uma autoimagem positiva, deixem de curtir e compartilhar pensamentos ou informações que desprestigiem a classe da qual fazem parte, principalmente nas redes sociais, mudem a concepção do professor-sofredor, “coitadinho”, para a de professor-lutador, semeador de ideias, agente de transformação! E quando notarem que a dor lhes visita, reconheçam que chegou a hora de reformular suas visões de mundo, reavaliar crenças, valores e adotar posturas diferentes, afinal, todos nós, em algum momento, sentimo-nos fracos e precisamos redescobrir o prazer que nos motiva a viver.
           
                         
             
            A dor nos possibilita um bate papo com nosso universo interior.”
Josimara Neves







    Psicoletrando
     APRENDENDO COM O SEXTING

PARTE II

                           Josimara Neves, psicóloga e escritora
                  (CRP-04/37147)
   Marília Neves, professora e escritora


Fonte: dasas.net

Na semana passada, ilustramos um caso sobre o sexting, prática que já virou “mania” entre muitos jovens, que, exibindo suas intimidades nas redes sociais, acabam envolvendo-se em situações embaraçosas e perigosas.
            Debruçados nessa realidade alarmante, pensamos em refletir acerca de tal temática com o intuito de alertar os pais e os educadores a auxiliarem os jovens quanto às ações que realizam por modismo, desejo incontido e até mesmo por desajuste psicoemocional. Portanto, seguem algumas causas do sexting:

  • Modismo: jovens adoram copiar os colegas, os artistas, seguindo o fluxo. Por estarem numa fase na qual se sentem donos de suas próprias vontades, acham que precisam fazer o que têm vontade. Com isso, não pensam nos riscos que correm, nas consequências advindas de atitudes precipitadas. Geralmente, acham os pais caretas, conservadores; os professores, chatos e, assim, taxam os conselhos dos mais experientes como ultrapassados.

  • Vontade de se expor: as redes sociais ganharam uma dimensão incomensurável. Por meio delas, temos acesso a tudo e a todos em questão de segundos. Então, essa ferramenta atrai, sobremaneira, o público jovem, o qual quer ser visto, curtido, compartilhado, afinal, é preciso ser notado, não é verdade? O sexting, portanto, possibilita essa notoriedade, dá ibope, “prestígio”, eleva o ego (geralmente dos meninos, que, quando vistos, sentem-se mais másculos; enquanto as meninas são julgadas de forma diferente);

  • Carência afetiva: diversos jovens se sentem rejeitados, carentes possuem baixa autoestima, incomodam-se com seu corpo, vivem se comparando com os outros, ressaltando os defeitos que possuem, evidenciando seu lado negativo. Quando encontram alguém que lhes dá atenção, para mostrar que são bem-resolvidos, podem optar pelo sexting, já que não é todo dia que “cai peixe na rede”.

  • Desajuste psicoemocional: alguns jovens vivenciam, precocemente, experiências sexuais sôfregas, alimentam-se do sexo de forma desmedida, achando que sua intimidade precisa ser escancarada para “aumentar o gás”. São do tipo: “Não vivo sem sexo”, “O que é bom tem de ser mostrado”. Assim, canalizam todas as suas energias na prática sexual, expõem-se em demasia e “obrigam” seus parceiros a se exporem também. Não conhecem limite, nem responsabilidade, nem compromisso, preferindo agir por impulso.

Todavia, sabendo que toda ação gera uma reação, eis algumas consequências do sexting:

  • Curtidas e compartilhamentos: com uma velocidade incalculável, centenas de pessoas têm acesso a fotos, a vídeos e a diferentes imagens referentes a pessoas conhecidas ou desconhecidas. Como a brincadeira da batata-quente, disseminam o que visualizam rapidamente, fato que consterna os envolvidos nesse perigoso jogo;

  • Julgamentos: esparramadas as imagens, os comentários sobre os envolvidos na “trama” começam a se proliferar. Em poucos instantes, advêm os julgamentos sobre os atores da cena, atrelados a difamações, a xingamentos, a condenações, entre outros;

  • Comprometimento físico e psicoemocional: diante da opinião alheia, muitos jovens que toparam fazer parte do teatro real (sexting) não aguentam a pressão e adoecem, sentem-se culpados, abstêm-se do convívio social e podem, até, deprimir-se;

  • Suicídio: quando a repercussão do sexting toma dimensão abrangente, alguns jovens não veem solução para o caso e, com vergonha e medo do julgamento da família, dos colegas e dos amigos, põem fim à própria vida – ato que causa revolta, tristeza e inúmeros transtornos aos familiares e aos indivíduos conscientes.

Por isso,
·         pais, eduquem seus filhos, ofereçam a eles todas as informações necessárias a fim de que tenham discernimento para fazer suas escolhas.
·         professores: permitam que, desde a infância, o aluno reflita sobre os próprios atos, seja perceptivo, questionador, consciente, responsável.
·         Jovens: busquem a felicidade duradoura, conversem com os amigos, passeiem, estudem, leiam, pratiquem esportes, enfim, sigam os passos d’aqueles que semeiam o bem, a alegria, a paz e o amor.




A internet, tal como uma ferramenta, tem a sua utilidade, contudo, quando usada indiscriminadamente, torna-se uma arma apontada contra nós mesmos. Pense nisso! Lembre-se: ser jovem é maravilhoso, mas não saber aproveitar a juventude é o prelúdio da falência existencial!
Marília Neves


Que possamos ter consciência dos nossos atos: pesando os prós e os contras, afinal, a vida merece ser vivida, e não sacrificada! Aprender a desconfiar e a ter discernimento é importante para evitar passar por constrangimentos que possam arruinar a nossa trajetória e, sobretudo, o desfecho da vida que teríamos se ela não tivesse sido “abortada!”
Josimara Neves

    Psicoletrando


   Sexting: identidades desnudadas, vidas sacrificadas!
Parte I

                                                  Josimara Neves, psicóloga e escritora
                  (CRP-04/37147)

   Marília Neves, professora e escritora



Para refletir sobre acontecimentos reais (e atuais), usaremos um pouco de ficção:
“O que você faz quando ninguém te vê fazendo?” Foi no embalo dessa trilha sonora que o casal (Marcos e Valéria) de namorados se divertiu como se não houvesse amanhã. Pegou a câmera fotográfica e, tal uma cena de filme, incorporou-se das fantasias mais audaciosas possíveis, mergulhou na profundidade do desejo e, em êxtase, deixou-se envolver pelo frenesi do momento. Entre ruídos e gemidos, murmúrios e sussurros, abraços e amassos, calor e fervor, o tempo foi passando, e ela estava ali, ligada em cada movimento, registrando a intimidade daquele momento.
Marcos tem 17 anos e Valéria, 16. Namoram há sete meses e se dizem eternamente apaixonados. Inicialmente, a jovem não apreciou a ideia da filmagem, contudo foi convencida pelo namorado, que, para conseguir o seu objetivo, elogiou-a, dizendo que a amava, que ela era linda, que tinha um corpo escultural e que tal atitude seria uma prova de amor. Vencida pela emoção e pelo excesso de ar que inflou o seu ego, resolveu não somente aceitar, mas também incorporar uma personagem erótica. Depois de concretizarem o ato, assistiram à filmagem juntos e se sentiram maravilhados ao se virem “atuando.”
A partir daquela noite, outras filmagens vieram... Até que uma briga –típica de um casal adolescente – colocou fim ao relacionamento (o qual não durara nem um ano). Valéria foi quem resolveu terminar, porém, Marcos não aceitou. Ele era “louco”, ou melhor, obsessivo por ela. Disse que se vingaria e lhe proferiu palavras de baixo calão.
Ela não levou muito a sério as ameaças do ex-namorado. Entretanto, certo dia, quando estava na sala de aula, recebeu uma mensagem pelo celular, de um número desconhecido:

“__  Oi, gostosa! Quanto é o programa?”

Achou estranho, mas pensou que fosse engano. Não tinha se preocupado, no entanto, depois daquela mensagem, outras centenas (sim, centenas!) chegaram, cada uma pior do que a outra, e todas com o mesmo conteúdo: piadas agressivas, relativas ao sexo; obscenidades, escárnio, denegrindo a sua reputação. Sem falar nos telefonemas de pessoas estranhas dizendo palavras chulas de cunho sexual.
Valéria levantou-se da sala, dirigiu-se ao banheiro e começou a chorar compulsivamente. Depois, sem mesmo pegar o material escolar, foi para casa e trancou-se no quarto. Estava sentindo um vazio misturado com um desespero que, na verdade, nada mais era do que a vergonha que se escondia por trás do medo. Já imaginava que isso tinha a ver com o ex- namorado.
Cansada de ficar deitada chorando, resolveu entrar na internet e, para a sua surpresa, ou melhor, decepção, o seu facebook estava literalmente bombando! Compartilharam um link de um vídeo no youtube que a mostrava completamente nua, tendo relações sexuais com o seu ex- namorado. Desesperada, chorava ainda mais e conjecturava:
“___ O que os meus pais irão pensar? Como a minha mãe irá se sentir ao ver o vídeo? E os meus irmãos, como reagirão?”
Aqueles pensamentos não a deixavam em paz... Viu-se no fim do poço, imaginou-se sendo alvo de chacotas na escola, pensou que nunca mais iria conseguir se relacionar com ninguém. Desesperou-se. Deparou-se com um labirinto sombrio, perdida, sozinha, sem saber por onde começar a procurar a saída. Sentiu-se no fim!
No outro dia, só se ouviam gritos de desespero da mãe, que, após arrombar a porta do quarto da jovem, com a ajuda dos outros dois filhos mais novos, defrontou-se com a cena mais chocante de sua vida: a filha, de apenas 16 anos, morta, amarrada  a um fio de extensão.

Um pouco sobre sexting...

Sexting – contração das palavras sex (sexo) e texting (envio de mensagem) – prática por meio da qual meninos e, principalmente meninas,  produzem e distribuem, através de telefones celulares e da internet, fotos de seus próprios corpos nus ou seminus em poses provocantes e sensuais. Fonte: http://eaibeleza.com/

Essa história seria ficção se não fosse o reflexo do que está acontecendo com mais frequência do que imaginamos na vida real. Jovens que agem movidos pelo impulso, sem dimensionar as consequências. Consequências estas que, aliadas à incapacidade de resolver problemas e enfrentar as dificuldades, quase sempre, terminam em finais infelizes, para não dizer, catastróficos. O que era para ser apenas um vídeo íntimo se torna um filme exposto ao público e, assim como uma erva daninha, alastra-se pelas redes sociais, ganha adeptos e críticos, juízes e algozes, levando ao triste desfecho: “o suicídio.”
Josimara Neves
As redes sociais (importantes aliadas do progresso) tornaram-se palco de exposições esdrúxulas. Várias pessoas embarcam no pseudonavio das venturas momentâneas, destituídas de prazer real. Fazem questão de compartilhar tragédias, denegrir a imagem do próximo, curtir a desdita alheia e, assim, plantam sementes de: discórdia, mentira, infâmia, ódio, tristeza, revolta... Também curtem a hipocrisia, o sensacionalismo, vestem-se de anjos,  mascaram-se impiedosamente e agem feito animais irracionais! Com isso, o suicídio entre os jovens está aumentando – fato que nos deixa extremamente preocupados! De quem é a culpa? Existem culpados? Reflitamos.
Marília Neves







Psicoletrando


Como explicar “assuntos-tabus” para crianças?

Josimara Neves, psicóloga e escritora

   Marília Neves, professora e escritora







Se a criança chega para a mãe e pergunta:
“___ Mãe, o que é gay?”
E a genitora, por sua vez, responde:
“Gay é homossexual!”
Ao dizer isso, a mãe, incomodada com a pergunta do filho, fala rapidamente e sai tentando se esquivar de novos questionamentos.
A criança fica insatisfeita e confusa com a resposta. Chega à escola e vai perguntar para a professora de Língua Portuguesa:
“____ Professora, o que é um gay-homossexual?”
 A docente engole  em seco e responde rapidamente, virando-lhe as costas:
“___ É um pleonasmo!”
A criança coça a cabeça, que, por sinal, pega fogo, vai para o pátio, senta-se e fica tentando entender.
Se gay é um homossexual e gay-homossexual é um pleonasmo, então ser gay deve ser uma coisa muito difícil de entender (pensa a criança)...
Apesar de ter refletido, ainda não sabia ao certo o que era “gay”. Assim, resolve, ao voltar para o lar, perguntar ao genitor:
“____ Pai, o que é gay?”
O pai bebia um copo de suco na hora em que o filho o questionara, mas, imediatamente, cospe o suco, mostrando-se surpreso com a pergunta inesperada.
            “___ Gay é homem que gosta de homem!”
             Fala tão rápido quanto a esposa e a professora do filho. Não sabia como continuar o assunto. A criança, por sua vez, fica mais satisfeita do que com as outras duas respostas, mas ainda não compreendia o suficiente.
             Mediante a ilustração apresentada, percebemos que falar de assuntos-tabus é uma dificuldade comum na sociedade de um modo em geral. Em vez de enfrentarem o confronto, as pessoas fogem e não sabem que, com isso, acabam contribuindo direta ou indiretamente para a proliferação de conceitos mal formulados, preconceitos arraigados, crenças discriminatórias, traumas e bloqueios. No caso supracitado, a criança não ficou sabendo ao certo o que é ser “gay!” A prova disso é que, quando o seu avô paterno a beijou, dizendo-lhe que a amava, ela logo respondeu:
               “___ Então o senhor é gay, né, vô?”
                Imaginem o constrangimento desse avô expressando os seus sentimentos para o neto, que, inocentemente, julga-o como gay só porque o seu genitor lhe havia dito que “gay é homem que gosta de homem.”
                É isso o que acontece quando hiatos são construídos no imaginário infantil: ideias equivocadas transformam-se em comportamentos inapropriados. Portanto, é necessário que pais, educadores e cuidadores aprendam a se comunicar com as crianças e, caso sejam pegos de surpresa por questionamentos como esse e não saibam explicá-los, usem a sinceridade, dizendo:
               “___ Sinceramente, não sei como explicar agora, mas irei pesquisar e, amanhã,  eu lhe darei uma resposta bem legal para a sua dúvida, tá bom?”
                Utilizem tais palavras e pesquisem sobre como falar, recorram à internet, ganhem tempo para se programarem e não deixem de retomar a questão no dia seguinte,  prazo combinado para responder à questão para a criança.
Algumas dicas:

Nunca diga um assunto pela metade: ser homossexual não é unicamente homem gostar de homem, e mulher de mulher. É importante falar sobre escolhas, diferenças, sentimentos, para que o conceito fique “fechado” para a criança.
Ex: Falar que Saci-pererê é um homem negro que tem uma perna só. Nesse caso, omite-se uma informação necessária: ele é um personagem lendário, criado por Monteiro Lobato.

Se a criança perceber que você ficou constrangido ao responder: ela irá perguntar ainda mais, pois, enquanto não receber a resposta que a satisfaça, não irá parar de perguntar.
Ex: o filho fica gritando: “___ Mãe! Oh, mãe! Mãeeeeeeeeeeee!” E quanto mais a mãe não responde, mas ele a chama. Se a mãe responde, pode ser que nem se lembre mais por que a havia chamado.

Pesquisar: ninguém sabe tudo, então é comum não saber como responder a questões que envolvam temáticas polêmicas e com muito juízo de valores, tais como: sexo, homossexualidade, órgãos genitais, gravidez, parto etc. Porém, é fundamental pesquisar sobre tais assuntos e encontrar a melhor forma de transmitir o conteúdo para cada criança, levando-se em consideração a idade e a forma como ela compreende o mundo.


Lembre-se: a melhor forma de acabar, ou pelo menos, diminuir os tabus, é naturalizá-los!



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Psicoletrando


         A escola de sucesso

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               Fonte: http://batista.br/portal/?p=4914

Josimara Neves, psicóloga e escritora
                    (CRP-04/37147)
   Marília Neves, professora e escritora


Para que uma escola obtenha êxito, é primordial que sua equipe trabalhe de forma coesa, adote a mesma linha, “fale a mesma língua”, siga posturas similares e tenha metas bem delineadas.
No processo de ensino e aprendizagem, cada segmento da escola é peça fundamental e tem funções a desempenhar. Destacaremos alguns:
·         Aluno: é o sujeito da aprendizagem, o foco da escola. Precisa ser constantemente incentivado para avançar, para saber que pode mais. A ele cabe a incumbência de frequentar assiduamente as aulas, participando delas com entusiasmo, além de fazer todas as tarefas de sala, os deveres de casa e estudar com afinco.

·         Professor: é o mediador da aprendizagem, o responsável por fazer o plano de aula mediante os objetivos propostos para cada aula; encarregado de elaborar estratégias diferenciadas a fim de garantir a participação dos alunos no processo de construção do conhecimento. A ele cabe a responsabilidade de pesquisar, estudar continuamente, selecionar materiais que contribuam para o desenvolvimento dos discentes, usar a interdisciplinaridade quando possível, além de conhecer os seus alunos, detectar as dificuldades que possuem, fazer intervenções, elaborando aulas que promovam o avanço deles.

·         Especialista/supervisor: é o suporte pedagógico do professor. A ele cabe a responsabilidade de acompanhar as aulas dos professores, sugerir-lhes estratégias para que os alunos avancem na aprendizagem, promover reuniões periódicas com os docentes, além de conhecer o nível em que se encontram os alunos da escola a fim de intervir com propriedade. Também estabelecem um vínculo significativo com os pais e/ou responsáveis pelos alunos, pois conhecem a vida escolar dos discentes.  Por isso, precisa estudar, pesquisar, motivar os professores e lhes passar segurança. 

·         Diretor: é o gestor escolar, o coordenador de toda a equipe que trabalha na escola. Ele tem a difícil função de mobilizar os funcionários a trabalharem eficazmente, de forma cooperativa, participativa, buscando a excelência. A ele cabe a responsabilidade de acompanhar o trabalho dos professores, dos especialistas (ou supervisores), das merendeiras, dos funcionários da limpeza, além de organizar as reuniões que se fizerem necessárias, receber os pais/responsáveis e/ou chamá-los à escola quando preciso. Sendo a autoridade máxima da instituição de ensino, necessita ter um perfil diferenciado – liderança, empreendedorismo, comunicação eficaz, inteligências intra e interpessoal, dinamismo, criatividade, alteridade, dedicação exclusiva e capacidade de estudar continuamente.

·         Pais e/ou responsáveis: são o suporte emocional dos filhos.  A eles cabe a função de educar, de dizer sim e não nos momentos adequados, de ensinar valores, princípios, boas maneiras, de oferecer-lhes um norte religioso (independentemente de qual seja), além de acompanhar-lhes o desenvolvimento escolar, verificando cadernos, notas, tarefas de casa, horários de estudo, participando de reuniões e de eventos da escola. 

A escola deve ser um espaço de democracia, onde a alegria de aprender a aprender seja o mote para o sucesso – vocábulo que definimos como o cumprimento de projetos elaborados, a concretização de sonhos planejados, a execução de tarefas que promovem a autorrealização, o bem-estar físico e psicoemocional, o reconhecimento pelo trabalho feito, o prazer de viver intensamente.
Logo, a escola de sucesso é aquela que enxerga o aluno como ser dotado de inteligências múltiplas, capaz de progredir conforme seu próprio ritmo e mediante os estímulos oferecidos; vê o professor como profissional que executa as metas propostas para cada turma e os valoriza; trabalha com gana, com disciplina, com organização, com respeito e com planejamento. Enfim, (sendo redundante para enfatizar) a escola de sucesso é aquela que agrega o maior número de alunos bem-sucedidos, posto que, o sucesso da escola depende do sucesso do aluno.

 “A família educa; a escola partilha conhecimentos. A família oferece limites; a escola propicia interação. A escola e a família, portanto, mantêm uma relação estreita, a qual objetiva o sucesso do aluno/filho”. (Marília Neves)
“O sucesso tanto da escola quanto da família só é possível quando não se espera que a família supra as demandas oriundas da escola e esta, por sua vez, não tenha que desempenhar o papel que não é seu”. (Josimara Neves)


domingo, 25 de agosto de 2013

Psicoletrando




   
                                 A família de sucesso
    Josimara Neves, psicóloga e escritora  (CRP-04/37147)

   Marília Neves, professora e escritora

  


E como seria a família de “sucesso?”

Será que uma família de sucesso é aquela na qual todos os membros são bem-sucedidos profissional e financeiramente? Será que é a que não tem brigas ou discussões? Será que é a constituída nos moldes do modelo de família nuclear?
Sinceramente, inviável analisar o sucesso de uma família olhando-a sobre um único aspecto, sem levar em consideração as teias que se formam no interior dos lares e a multiplicidade de fatores que corroboram para torná-la bem-sucedida. Existem famílias que são bem-sucedidas financeiramente, mas são um fracasso no que tange à educação dos filhos – que sentem os pais ausentes tanto física quanto afetivamente .
Há famílias que estabelecem relações calorosas e afetuosas entre os seus membros, porém, os problemas oriundos de dificuldades econômicas ocasionam brigas, discussões e desentendimentos entre eles, desestabilizando as emoções.
Existem famílias cujos membros apenas habitam na mesma casa, todavia, parecem desconhecidos devido à falta de afinidades e de proximidade afetiva.
Há famílias que se toleram, mas não se suportam. Reúnem pessoas que não conseguem dialogar, comumente não sabem como estabelecer vínculo, realçam o lado negativo umas das outras, torcem contra, e não a favor dos familiares.
Enfim, no que diz respeito ao progresso da família, vale lembrar que não é como dar uma receita de bolo, com ingredientes estipulados e o manual contendo o modo de fazer. Não é tão simples assim! Para uma família ser bem-sucedida, é importante que:
·         As relações sejam pautadas no respeito, na compreensão do outro e dos limites de cada um;
·         Desenvolva a capacidade empática de se colocar no lugar do próximo, adquirir a prontidão para ouvir seja a mãe – cansada pela duplicidade de tarefas dentro e fora do lar –; o marido, que carrega o peso de ter que ser forte porque a sociedade assim instituiu; os filhos, que se sentem sobrecarregados pelo excesso de tarefas escolares e devido às pressões sociais (questionamentos sobre qual a profissão a seguir, como será o futuro – que ainda não chegou e que nem se sabe se chegará –, entre outras).
·         Haja espaço para falar de assuntos que não sejam só cobranças (Já fez o dever? Já pagou a conta de luz? Já consertou a televisão?). Destinar um momento para se descontrair é uma forma de envolver a família, integrá-la, a fim de oferecer segurança para que os integrantes do arranjo familiar possam sentir: “aqui em casa tem muita bagunça, mas a gente se diverte, é feliz!”
·         Inclua uma religião ou uma crença no cotidiano familiar para que tenham um suporte a mais diante dos momentos difíceis. Vale ressaltar que pode ser qualquer religião, pois o importante é o bem-estar familiar. Caso não seja possível mobilizar todos os membros, pode-se fazer uma leitura de textos religiosos, mensagens positivas e de reflexão, uma vez por semana, em dia e horas programados envolvendo toda a família.
·         Tenha tempo para curtir a presença dos membros familiares, mostrando afetividade e carinho, nem que seja enquanto se assiste a um filme, no preparo de um almoço, no intervalo da novela ou do jogo etc.
·         Esteja mais disponível para a família do que para o facebook, as redes sociais e a internet de modo geral, os jogos, o celular, o trabalho. O tempo dedicado à família é um investimento que se faz e cujo retorno é deveras gratificante.
·         Aprenda a sonhar junto, ou melhor, a construir sonhos coletivamente. Incentivem-se uns aos outros, sejam parceiros, companheiros, amigos,  quando necessário. Muitas vezes, a mulher quer ser vista em sua fragilidade; o homem não quer ser forte constantemente; a criança não quer ser “policiada” sempre; o adolescente não quer ser questionado com frequência; o adulto quer brincar ou descontrair para minimizar as tensões do mundo “adulto”; o idoso não quer se lembrar dos seus cabelos brancos e das rugas que têm. Compreender isso é significativo para entender a forma como cada membro atua nas relações familiares.
Portanto, é primordial que cada pessoa reconheça o seu papel no contexto familiar, refletindo sobre atitudes, visando à mudança de comportamento, que, porventura, tenha identificado como óbice para uma convivência mais harmônica, respeitosa, feliz!
Numa família, seja monoparental, extensa, aglutinada, não é o arranjo familiar o que mais importa, mas sim, os vínculos estabelecidos, a afetividade, o respeito, a tolerância, o diálogo, enfim, o querer bem um ao outro. Tais componentes, e bem ajustados em doses diárias, é uma “boa receita” de sucesso familiar.


Os problemas sempre existirão, as dificuldades e as diferenças também, mas o que faz uma família ser bem-sucedida é a capacidade de dar a volta por cima e se ajudar mutuamente para atingir a superação, o sucesso, o apogeu! A resiliência, no contexto familiar, também é um ingrediente para o sucesso”. (Josimara Neves)
 






“A família bem-sucedida constrói seu alicerce no respeito, na alteridade, levanta paredes revestidas do diálogo necessário, acende a luz da esperança que impulsiona os seus moradores a progredir. Tal instituição forma um lar, pois não se preocupa apenas com a estrutura física, cuida do sol que alimenta os corações de cada membro que nela vive: a afetividade.” (Marília Neves)

Obs: os textos contidos aqui são publicados semanalmente no Jornal do Sudoeste(http://www.jornaldosudoeste.com.br), na coluna "Psicoletrando."