A família de
sucesso

Josimara Neves, psicóloga e
escritora
(CRP-04/37147)
Marília Neves, professora e
escritora
E
como seria a família de “sucesso?”
Será que uma família de sucesso é aquela na qual todos os
membros são bem-sucedidos profissional e financeiramente? Será que é a que não
tem brigas ou discussões? Será que é a constituída nos moldes do modelo de
família nuclear?
Sinceramente, inviável analisar o sucesso de uma família
olhando-a sobre um único aspecto, sem levar em consideração as teias que se
formam no interior dos lares e a multiplicidade de fatores que corroboram para
torná-la bem-sucedida. Existem famílias que são bem-sucedidas financeiramente,
mas são um fracasso no que tange à educação dos filhos – que sentem os pais
ausentes tanto física quanto afetivamente .
Há famílias que estabelecem relações calorosas e
afetuosas entre os seus membros, porém, os problemas oriundos de dificuldades
econômicas ocasionam brigas, discussões e desentendimentos entre eles,
desestabilizando as emoções.
Existem famílias cujos membros apenas habitam na mesma
casa, todavia, parecem desconhecidos devido à falta de afinidades e de
proximidade afetiva.
Há famílias que se toleram, mas não se suportam. Reúnem
pessoas que não conseguem dialogar, comumente não sabem como estabelecer
vínculo, realçam o lado negativo umas das outras, torcem
contra, e não a favor dos familiares.
Enfim, no que diz respeito ao progresso da família, vale
lembrar que não é como dar uma receita de bolo, com ingredientes estipulados e
o manual contendo o modo de fazer. Não é tão simples assim! Para uma família
ser bem-sucedida, é importante que:
·
As relações sejam pautadas no respeito, na
compreensão do outro e dos limites de cada um;
·
Desenvolva a capacidade empática de se
colocar no lugar do próximo, adquirir a prontidão para ouvir seja a mãe – cansada
pela duplicidade de tarefas dentro e fora do lar –; o marido, que carrega o
peso de ter que ser forte porque a sociedade assim instituiu; os filhos, que se
sentem sobrecarregados pelo excesso de tarefas escolares e devido às pressões
sociais (questionamentos sobre qual a profissão a seguir, como será o futuro – que
ainda não chegou e que nem se sabe se chegará –, entre outras).
·
Haja espaço para falar de assuntos que não
sejam só cobranças (Já fez o dever? Já pagou a conta de luz? Já consertou a
televisão?). Destinar um momento para se descontrair é uma forma de envolver a
família, integrá-la, a fim de oferecer segurança para que os integrantes do
arranjo familiar possam sentir: “aqui em casa tem muita bagunça, mas a gente se
diverte, é feliz!”
·
Inclua uma religião ou uma crença no
cotidiano familiar para que tenham um suporte a mais diante dos momentos difíceis.
Vale ressaltar que pode ser qualquer religião, pois o importante é o bem-estar
familiar. Caso não seja possível mobilizar todos os membros, pode-se fazer uma
leitura de textos religiosos, mensagens positivas e de reflexão, uma vez por
semana, em dia e horas programados envolvendo toda a família.
·
Tenha tempo para curtir a presença dos
membros familiares, mostrando afetividade e carinho, nem que seja enquanto se
assiste a um filme, no preparo de um almoço, no intervalo da novela ou do jogo etc.
·
Esteja mais disponível para a família do que
para o facebook, as redes sociais e a
internet de modo geral, os jogos, o celular, o trabalho. O tempo dedicado à
família é um investimento que se faz e cujo retorno é deveras gratificante.
·
Aprenda a sonhar junto, ou melhor, a
construir sonhos coletivamente. Incentivem-se uns aos outros, sejam parceiros,
companheiros, amigos, quando necessário.
Muitas vezes, a mulher quer ser vista em sua fragilidade; o homem não quer ser
forte constantemente; a criança não quer ser “policiada” sempre; o adolescente
não quer ser questionado com frequência; o adulto quer brincar ou descontrair
para minimizar as tensões do mundo “adulto”; o idoso não quer se lembrar dos
seus cabelos brancos e das rugas que têm. Compreender isso é significativo para
entender a forma como cada membro atua nas relações familiares.
Portanto,
é primordial que cada pessoa reconheça o seu papel no contexto familiar,
refletindo sobre atitudes, visando à mudança de comportamento, que, porventura,
tenha identificado como óbice para uma convivência mais harmônica, respeitosa,
feliz!
Numa
família, seja monoparental, extensa, aglutinada, não é o arranjo familiar o que
mais importa, mas sim, os vínculos estabelecidos, a afetividade, o respeito, a
tolerância, o diálogo, enfim, o querer bem um ao outro. Tais componentes, e bem
ajustados em doses diárias, é uma “boa receita” de sucesso familiar.
Os
problemas sempre existirão, as dificuldades e as diferenças também, mas o que
faz uma família ser bem-sucedida é a capacidade de dar a volta por cima e se
ajudar mutuamente para atingir a superação, o sucesso, o apogeu! A resiliência,
no contexto familiar, também é um ingrediente para o sucesso”. (Josimara Neves)
“A
família bem-sucedida constrói seu alicerce no respeito, na alteridade, levanta
paredes revestidas do diálogo necessário, acende a luz da esperança que
impulsiona os seus moradores a progredir. Tal instituição forma um lar, pois
não se preocupa apenas com a estrutura física, cuida do sol que alimenta os
corações de cada membro que nela vive: a afetividade.” (Marília Neves)
Obs: os textos contidos aqui são publicados semanalmente no Jornal do Sudoeste(http://www.jornaldosudoeste.com.br), na coluna "Psicoletrando."
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