segunda-feira, 13 de janeiro de 2014






                                  Psicoletrando

                 Quando a dor visita o professor...


                                                            Josimara Neves, psicóloga e escritora

             Marília Neves, professora e escritora


                  Fonte: www.opresente.com.br


          “A dor dói porque cutuca o que lutamos para esconder.”
                                                                                                                 Marília Neves

            Quando a Distinta Dama de coração gelado consegue infiltrar-se na vida dos professores, descobre-lhes o ponto fraco e, de tanto empenho e dedicação, torna-se amiga íntima deles. Sabedora de sua capacidade de persuasão e de sua extrema força, provoca-lhes os seguintes sintomas:

  • dores no corpo todo, principalmente na cabeça;
  • dificuldade de concentração;
  • sono irregular (insônia ou vontade de dormir durante muito tempo);
  • problemas digestivos;
  • frustração;
  • autodepreciação;
  • vazio interior;
  • sensação de incompetência profissional, de não fazer o bastante;
  • estresse;
  • escapismo – fuga da realidade;
  • melancolia;
  • apatia;
  • cansaço, exaustão;
  • irritabilidade, mau humor;
  • depressão.
           
            Não é novidade alguma dizer que os professores, de modo geral, vivenciam um período extremamente conturbado. Nas escolas, encontram salas numerosas, excesso de trabalho, indisciplina e falta de interesse dos alunos, reuniões periódicas... Em casa, há as responsabilidades perante a família, o atendimento aos filhos e/ou familiares, as tarefas domésticas, o compromisso com o pagamento das despesas, entre outros. Fora isso, ainda destinam um tempo à religião, ao lazer, ao estudo, aos amigos e a diversos afazeres que surgem no dia a dia.
            Entretanto, a saúde – física e emocional – do professor é um caso preocupante. Porém, penso que ainda sejam insignificantes as medidas preventivas utilizadas para combater e/ou minimizar tal fato.
            Quem realmente se importa se o professor está bem ou não?
            Quais as consequências da grande quantidade de professores doentes?
            Por que cresce, diariamente, o número de professores que deixam a sala de aula e precisam ser remanejados para outras funções?
            Todo professor tem acesso, quando necessário, a um tratamento de qualidade com profissionais especializados para auxiliá-los, como ortopedistas, neurologistas, psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos?
            Sabemos que existem casos diferentes dos apresentados, que alguns professores não precisam trabalhar em mais de uma escola, equilibram bem o tempo que possuem, são mais bem remunerados, contudo, essa parcela é pequena se comparada aos demais companheiros de ideal.
            Então, o que nos cabe fazer?
            Não há receitas prontas nem conselhos com garantia total de sucesso, mas acredito que a indiferença diante essa realidade precisa acabar. Chega de cozinhar o bolo em banho-maria, de fingir que não vê o que está sob os próprios olhos, de omissão. É preciso agir conforme os galos, acordar cedo, cantar, ciscar no terreiro e pôr a boca no trombone, demarcando território.          
            Se almejamos um país melhor, mais igualitário, menos excludente, que se destaque na área educacional, cuidemos dos nossos professores, olhemos com mais atenção e respeito os que fazem jus ao título que recebem – profissionais que trabalham com responsabilidade, compromisso e foco na aprendizagem dos alunos.
            Aos professores ficam as seguintes dicas: primeiramente, creiam no trabalho que realizam, façam o melhor que puderem, criem uma autoimagem positiva, deixem de curtir e compartilhar pensamentos ou informações que desprestigiem a classe da qual fazem parte, principalmente nas redes sociais, mudem a concepção do professor-sofredor, “coitadinho”, para a de professor-lutador, semeador de ideias, agente de transformação! E quando notarem que a dor lhes visita, reconheçam que chegou a hora de reformular suas visões de mundo, reavaliar crenças, valores e adotar posturas diferentes, afinal, todos nós, em algum momento, sentimo-nos fracos e precisamos redescobrir o prazer que nos motiva a viver.
           
                         
             
            A dor nos possibilita um bate papo com nosso universo interior.”
Josimara Neves





Nenhum comentário:

Postar um comentário