Psicoletrando
Quando a dor visita o professor...
Josimara Neves,
psicóloga e escritora
Marília Neves, professora e escritora
Fonte: www.opresente.com.br
“A dor dói porque cutuca o que lutamos
para esconder.”
Marília
Neves
Quando
a Distinta Dama de coração gelado consegue infiltrar-se na vida dos
professores, descobre-lhes o ponto fraco e, de tanto empenho e dedicação,
torna-se amiga íntima deles. Sabedora de sua capacidade de persuasão e de sua
extrema força, provoca-lhes os seguintes sintomas:
- dores
no corpo todo, principalmente na cabeça;
- dificuldade
de concentração;
- sono
irregular (insônia ou vontade de dormir durante muito tempo);
- problemas
digestivos;
- frustração;
- autodepreciação;
- vazio
interior;
- sensação
de incompetência profissional, de não fazer o bastante;
- estresse;
- escapismo
– fuga da realidade;
- melancolia;
- apatia;
- cansaço,
exaustão;
- irritabilidade,
mau humor;
- depressão.
Não
é novidade alguma dizer que os professores, de modo geral, vivenciam um período
extremamente conturbado. Nas escolas, encontram salas numerosas, excesso de
trabalho, indisciplina e falta de interesse dos alunos, reuniões periódicas...
Em casa, há as responsabilidades perante a família, o atendimento aos filhos
e/ou familiares, as tarefas domésticas, o compromisso com o pagamento das
despesas, entre outros. Fora isso, ainda destinam um tempo à religião, ao
lazer, ao estudo, aos amigos e a diversos afazeres que surgem no dia a dia.
Entretanto,
a saúde – física e emocional – do professor é um caso preocupante. Porém, penso
que ainda sejam insignificantes as medidas preventivas utilizadas para combater
e/ou minimizar tal fato.
Quem
realmente se importa se o professor está bem ou não?
Quais
as consequências da grande quantidade de professores doentes?
Por
que cresce, diariamente, o número de professores que deixam a sala de aula e
precisam ser remanejados para outras funções?
Todo
professor tem acesso, quando necessário, a um tratamento de qualidade com
profissionais especializados para auxiliá-los, como ortopedistas,
neurologistas, psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos?
Sabemos
que existem casos diferentes dos apresentados, que alguns professores não
precisam trabalhar em mais de uma escola, equilibram bem o tempo que possuem,
são mais bem remunerados, contudo, essa parcela é pequena se comparada aos
demais companheiros de ideal.
Então,
o que nos cabe fazer?
Não
há receitas prontas nem conselhos com garantia total de sucesso, mas acredito
que a indiferença diante essa realidade precisa acabar. Chega de cozinhar o
bolo em banho-maria, de fingir que não vê o que está sob os próprios olhos, de
omissão. É preciso agir conforme os galos, acordar cedo, cantar, ciscar no
terreiro e pôr a boca no trombone, demarcando território.
Se
almejamos um país melhor, mais igualitário, menos excludente, que se destaque
na área educacional, cuidemos dos nossos professores, olhemos com mais atenção
e respeito os que fazem jus ao título que recebem – profissionais que trabalham
com responsabilidade, compromisso e foco na aprendizagem dos alunos.
Aos
professores ficam as seguintes dicas: primeiramente, creiam no trabalho que
realizam, façam o melhor que puderem, criem uma autoimagem positiva, deixem de
curtir e compartilhar pensamentos ou informações que desprestigiem a classe da
qual fazem parte, principalmente nas redes sociais, mudem a concepção do
professor-sofredor, “coitadinho”, para a de professor-lutador, semeador de
ideias, agente de transformação! E quando notarem que a dor lhes visita,
reconheçam que chegou a hora de reformular suas visões de mundo, reavaliar
crenças, valores e adotar posturas diferentes, afinal, todos nós, em algum
momento, sentimo-nos fracos e precisamos redescobrir o prazer que nos motiva a
viver.
“A dor
nos possibilita um bate papo com nosso universo interior.”
Josimara Neves
Nenhum comentário:
Postar um comentário